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A inovação precisa ser centrada no ser humano (em Itabira também)

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Nivaldo Ferreira dos Santos*

Nos últimos meses o tema “inovação” foi citado em vários textos dessa nossa “coluna”, buscando contextualizar a sua importância e a sua inclusão nas diversas pautas da nossa sociedade e das organizações públicas, empresas e entidades civis – atualmente a inovação é parte essencial de debates e projetos dos mais diversos setores, como universidades, centros de pesquisas, instituições financeiras, organismos internacionais, sindicatos, organizações assistenciais ou de defesa do meio ambiente, coletivos culturais, e até mesmo instituições religiosas e partidos políticos, pelo Brasil e mundo afora.

Uma das principais formas de organizar as iniciativas voltadas para a inovação é a criação, implantação e fomento de um “Ecossistema de Inovação”, termo utilizado para identificar um conjunto de organizações e pessoas que atuam de forma integrada para promover a troca de conhecimentos e tecnologias em prol do desenvolvimento econômico e social de um determinado território – é importante observar que já existem Ecossistemas de Inovação funcionando em diversos municípios e regiões do Brasil, dos quais podemos destacar, por exemplo: Porto Alegre(RS) – o “Pacto Alegre” é a força motriz, conectando atores e projetos de impacto na cidade; Recife(PE) – o “Porto Digital”, implantado no centro histórico da cidade, revitalizou a área e atua em colaboração com governo, universidades e empresas; Chapecó(SC) – o “Pollen Parque Científico e Tecnológico” se destaca pela forte integração entre academia, empresas, poder público e entidades, com foco no agronegócio e tecnologia; Uberlândia(MG) – “Uberhub” é um ecossistema de inovação formado por “startups”, empresas, sociedade civil, poder público e instituições de ensino, sendo uma das principais comunidades do país.

E em Itabira não é diferente: a inovação está presente no dia-a-dia dos nossos cidadãos e das organizações e já está em andamento há alguns anos a organização e consolidação do nosso ecossistema de inovação, por iniciativa do SEBRAE e de várias organizações da comunidade itabirana – o “Itabira Conecta”, nome escolhido para o “Ecossistema de Inovação de Itabira”, reúne empreendedores, startups, estudantes, universidades, pesquisadores, investidores, governo, comunidade local e mentores. O foco dos trabalhos do “Itabira Conecta” é transformar a economia local, da atual concentração na área de mineração e evidente dependência da Vale S/A para outro formato, com diversificação, sustentabilidade e aplicação de tecnologia aos negócios e às demais atividades desenvolvidas no município.

Conforme comentamos em textos anteriores, levando em conta os diversos projetos já desenvolvidos em Itabira, os setores com maiores expectativas de desenvolvimento e geração de negócios nos próximos anos são: Saúde; Educação; Turismo; Economia Criativa; Economia Rural; e Reaproveitamento/Reciclagem de materiais (incluindo “rejeitos” e outros resíduos gerados pela mineração e também resíduos gerados em residências, empresas e outras organizações, com a previsão de construir uma “Central de Resíduos” e/ou criar um “Distrito Industrial” voltado para a “economia circular”).

É importante observar que atualmente o setor que tem conseguido maior destaque em Itabira no que se refere à inovação é o setor da Saúde, com a implantação do HUSB (Hub de Saúde e Bem-estar) – “hub” significa “centro, ponto de conexão, núcleo ou concentrador” e refere-se a um local, dispositivo ou entidade que centraliza atividades, conexões ou dados, agindo como um ponto de convergência para pessoas, empresas ou redes, com o objetivo de facilitar a troca, colaboração ou distribuição de produtos e/ou informações. O HUSB teve seu início no Hospital Nossa Senhora das Dores, por meio do “Núcleo de Inovação e Empreendedorismo” criado em parceria com a Unifei (Universidade Federal de Itajubá – campus Itabira) no âmbito do “programa de inovação hospitalar” implantado em 2020 – atualmente o HUSB tem estrutura própria funcionando no Centro Universitário Funcesi e parceria com o Hospital Margarida, de João Monlevade, e várias outras organizações públicas, privadas e da sociedade civil.

Para completar, lembramos a reflexão sobre a necessidade de tratar a inovação sempre como uma ferramenta para dar mais qualidade de vida e conforto às pessoas, ou seja: a inovação precisa ser “centrada no ser humano” – isso significa que a inovação não pode ser vista somente como “desenvolvimento de tecnologias”, mas sim como “evolução tecnológica” aplicada na melhoria da vida humana, gerando mais bem-estar e aumentando a criatividade e a empatia entre as pessoas, criando valor tanto para os indivíduos quanto para a sociedade e sendo utilizadas com ética e responsabilidade, de forma a garantir que o progresso técnico respeite a dignidade e a diversidade.

E é assim que precisamos fazer em Itabira também: os investimentos em inovação devem ser focados nas necessidades de cada cidadão e da comunidade como um todo, resolvendo questões como: o acesso de todos ao abastecimento público de água da melhor qualidade; a melhoria contínua dos serviços públicos e privados da área da saúde; a garantia de qualidade nos serviços oferecidos pelos diversos estabelecimentos da área da educação; a destinação adequada e o reaproveitamento dos diversos tipos de resíduos gerados pela nossa sociedade; a qualificação profissional adequada e a geração de mais oportunidades de empreendedorismo e/ou empregos para geração de renda e mais acesso aos bens, serviços e tecnologias em todos os setores da economia (Economia Criativa; Economia Rural; e Reaproveitamento de materiais e outros mais).

E aí, vamos nos unir e fazer isso acontecer “pra valer”?!? Se cada um fizer a sua parte, seremos um “case de sucesso”.

Até breve!

* Nivaldo Ferreira dos Santos é Mestre em Administração Pública, Professor, Líder Comunitário e Servidor Público

Trabalho de cuidado: “Mulheres têm escala 7×0”, diz pesquisadora

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Boa parte dos trabalhadores brasileiros está descansando neste feriado de 1° de maio, que marca o Dia do Trabalhador. 

Existe uma categoria, no entanto, que não consegue parar nem nos feriados, nem nos fins de semana e, muitas vezes, nem quando adoece. São as pessoas que cuidam de crianças, idosos e do ambiente doméstico, garantindo a sobrevivência e o bem estar dos membros de suas famílias. 

Essa função tem gênero bem definido: mulheres dedicam quase dez horas a mais por semana aos cuidados de outras pessoas e da casa, segundo dados oficiais do IBGE.

Para a professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cibele Henriques, trata-se de uma desigualdade com raízes históricas, construída ao redor de um discurso simbólico que se sustenta até hoje. 

“Não existe um laboratório para gerar humanos, então não tem como substituir o trabalho de reprodução feito pelas mulheres. Ele é o útero motor do capitalismo, porque gera capital humano. Pra garantir que ele seja feito, se cria, com a ajuda da Igreja a ideia desse amor materno mítico e dessa obrigação”, explica. 

Ela complementa, fazendo uma referência à frase famosa da filósofa feminista Silvia Federici – O que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago.

“Mas esse amor, na verdade, é trabalho não pago, que traz sobrecarga psíquica, física e social e retira da mulher a possibilidade de ter saúde mental e social.”

Cuidado

Cibele estuda o tema do Cuidado há muitos anos e vivencia essa sobrecarga na prática como mãe de duas filhas.

Ela é co-fundadora do Observatório do Cuidado, que estimula a produção acadêmica sobre o tema, e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, uma ponte para fora da universidade, para conectar mães e incidir politicamente.

A acadêmica defende essa abordagem econômica porque, por mais que as tarefas de cuidado sejam permeadas por amor e afeto, esses sentimentos acabam justificando a exploração da mão de obra feminina, na execução de um trabalho fundamental para a sociedade. 

“Se tempo é dinheiro, o dinheiro das mulheres é expropriado delas. Porque o tempo das mulheres é usado para cuidar dos outros. As mulheres são grandes doadoras de tempo e de trabalho não pago para os homens.” 

Segundo Cibele, isso ocorre, tanto nos casos das mulheres que trabalham exclusivamente com o cuidado de suas famílias quanto daquelas que exercem dupla função, com uma ocupação remunerada fora de casa, além das tarefas de cuidado. 

“Hoje, por exemplo, é Dia do Trabalhador, mas quem vai poder realmente descansar nesse feriado? Porque a mulher que trabalha fora, em um dia de folga, ela pensa assim: ‘Ah, vai dar sol, então eu vou lavar roupa, vou arrumar a casa, vou adiantar as compras.’ O tempo da mulher nunca é usado só para ela”. 

E complementa: “A discussão sobre a escala 6×1 é muito importante, e a gente precisa avançar nesse debate. Mas na verdade as mulheres vivem uma escala 7×0. Especialmente as negras e periféricas. Porque as mulheres de classe média alta têm formas de transferir esse trabalho. Mas para as mulheres negras periféricas, ele é posto como obrigação.”
 

Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cibele Henriques posa para foto no centro do Rio Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cibele Henriques posa para foto no centro do Rio Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cibele Henriques é co-fundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Obrigação construída

Cibele explica que essa obrigação associada ao cuidado é construída desde a infância.

“Você vai dar o que para o menino brincar? Carrinho. Pra menina você vai dar panelinha, bonequinha. Você já dissocia a esfera pública da privada e tudo que é doméstico fica a cargo da mulher.”

Isso se soma a diversos discursos sociais que “desoneram” os homens do cuidado e sobrecarregam as mulheres, complementa.

Como exemplo, ela cita uma realidade comum de muitas famílias após o divórcio, quando a mulher assume integralmente o cuidado dos filhos, e a obrigação do pai se resume ao pagamento da pensão alimentícia.

“Não que fosse muito diferente antes, porque muitas mulheres são mães solo mesmo dentro de um casamento”, ressalva. 

Para a pesquisadora, os movimentos recentes que tentam reforçar esse papel tradicional da mulher como cuidadora exclusiva são uma resposta à insurgência das mulheres que não querem mais ocupar esse lugar. Mas novamente, a raiz do problema é econômica, defende Cibele. 

“A questão real é que não tem trabalho para todo mundo e as mulheres têm cada vez mais escolarização e competência. A gente tem um sistema capitalista consolidado, mas que tem suas crises, se reconfigura. Uma esposa tradicional é justamente uma dessas reorganizações, de reposição do lugar da mulher. É uma regressão com esse apelo mítico, mas são categorias econômicas, não categorias morais.” 

Violência de gênero

Ela reforça que além de impor uma sobrecarga e relegar à mulher um trabalho não remunerado, a responsabilidade pelo cuidado também fortalece a violência de gênero, já que muitas mulheres permanecem em relações violentas justamente porque não têm renda própria e precisam cuidar dos filhos ou outros familiares. 

Para Cibele Henriques, além de depender de uma quebra dos papéis tradicionais, a solução também passa por um envolvimento maior do Estado.

A pesquisadora também alerta para uma situação insustentável que o Brasil deve viver nos próximos anos, já que a população está envelhecendo, e os idosos precisarão de cuidados ao mesmo tempo em que o país ainda terá muitas crianças. 

“O sistema de proteção social hoje atua principalmente para evitar ou reparar violências e violação de direitos, e o ônus do cuidado em situações normais fica com a mulher. Mas se a gente tiver uma política de cuidados estruturando a rede de suporte, seria o contrário, aí você desoneraria essa mulher”, acrescenta.

Com fim da escala 6×1, mulher tem mais acesso a trabalho, diz ministra

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A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, considera que o fim da escala de trabalho de apenas uma folga na semana, chamada de 6×1, é uma “exigência do nosso tempo” e que vai permitir que as mulheres tenham mais acesso ao mercado de trabalho.

“Elas vão cuidar melhor da saúde, das relações familiares, territoriais. Eu não tenho dúvida que é uma exigência do nosso tempo o fim da escala 6×1”, disse.

O fim da escala 6×1 é a principal bandeira a ser ostentada pelas manifestações de trabalhadores neste feriado de 1º de Maio. 

Márcia Lopes conversou com exclusividade com a Agência Brasil, na última quarta-feira (29), após participar de um evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Os comentários sobre a mudança na jornada de trabalho acontecem no momento em que o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei (PL) 1838/2026, de iniciativa do governo federal, que reduz o limite máximo da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado semanal sem redução salarial. 

O governo Lula pediu regime de urgência na tramitação do PL, que até a tarde de quinta-feira (30) ainda aguardava despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para ser analisado pela Casa.

Tramitam ainda na Câmara duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC), PEC 221/19 e PEC 8/25, que também tratam do fim da escala 6×1. Na última quarta-feira (29) a Casa legislativa instaurou uma comissão especial para analisar as matérias. 

Prejudicadas pela 6×1

Ao defender a visão favorável ao fim da escala 6×1, a ministra Márcia Lopes é categórica ao afirmar que as mulheres são as principais prejudicadas pela escala atual de trabalho.

“Não há dúvida disso”, afirma.

A ministra aponta que as mulheres sempre se sentiram sobrecarregadas, entre outros motivos, pela característica “machista” da sociedade.

“Às mulheres, historicamente, foi imputado a elas, dupla, tripla jornadas de trabalho. A elas sempre coube, além do trabalho remunerado, uma grande parte do seu tempo com trabalho não remunerado”, explica.

“Quando elas terminam uma etapa do dia de trabalho, apesar do cansaço, elas dão início a outras etapas, seja estudando, cuidando das suas casas, dos filhos, dos afazeres”, completa.

Mais do que colaborar para combater a sobrecarga de trabalho das mulheres, Márcia Lopes acredita que o fim da escala 6×1 é uma forma de melhorar a empregabilidade das mulheres e reduzir a desigualdade de gênero no mundo do trabalho.

“Ao alcançar o fim da escala 6×1 e trabalhar pela igualdade salarial, as mulheres vão tendo muito mais chance de acessar o trabalho e de conquistar espaços e condições de trabalho melhores”, diz ela, enfatizando entre as beneficiadas as mulheres periféricas e negras.

Desigualdade salarial

Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, na última segunda-feira (27), revelou que as brasileiras recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados. Ou seja, para cada R$ 1000 de salário de um homem, a mulher recebe R$ 787.

A Lei nº 14.611, de julho de 2023, reforça a igualdade salarial entre homens e mulheres para mesma função. Empresas com 100 ou mais empregados devem adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo a divulgação dos salários.

Reflexos positivos

Para a ministra das Mulheres, o fim da escala de apenas um dia de descanso na semana resultará em efeitos positivos para as próprias empresas, como a redução do absenteísmo (faltas, atrasos e saídas antecipadas), e para a economia do país.

“Traz muito mais dignidade, traz tempo livre que será utilizado para, inclusive, ir ao cinema, visitar museu, poder se alimentar melhor, organizar a sua comunidade, o seu território, de poder empreender”, lista.

Estudos sobre impacto

Diversos estudos tentam estimar os efeitos da redução de jornada de trabalho no país. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta prejuízo para a competitividade do setor e calcula uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país e altas nos preços de 6,2%, em média

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) assinala que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21% e pressão inflacionária, com o repasse de preços ao consumidor chegando a 13%. 

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), instituição do Ministério do Planejamento e Orçamento, defende que os custos de uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho. 

Pressão popular

A ministra Márcia Lopes, que também preside o Conselho Nacional de Direito da Mulher – fórum que leva a participação da sociedade civil para dentro do governo – relatou à Agência Brasil que grupos de mulheres já buscaram articulação com os presidentes Hugo Motta, da Câmara, e Davi Alcolumbre, do Senado, para pressionar pela aprovação do fim da escala 6×1.“

As mulheres são fortes, são mobilizadas e já estão fazendo isso”, disse.

“Claro que tem posicionamentos contrários, isso faz parte da democracia, mas eu tenho impressão que, muito em breve, vamos conquistar mais esse direito no Brasil”, conclui.

As declarações da ministra foram depois da participação em um evento, no qual o BNDES anunciou R$ 80 milhões para iniciativas que beneficiam mulheres empreendedoras e o “trabalho do cuidado” nas periferias.

São exemplos de iniciativas de cuidado as cozinhas comunitárias, lavanderias públicas e cuidadotecas.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, que também esteve no encontro, o fim da escala 6×1 é intimamente ligado à melhoria da condição de vida das mulheres.

“A luta para que a gente mude essa situação da escala 6×1 é exatamente ter direito a se cuidar, ter direito ao fim de semana, ao autocuidado”, disse.

 

Dólar sobe a R$ 5 e bolsa cai 2% em dia de tensão global

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O dólar fechou acima de R$ 5 e a bolsa brasileira caiu mais de 2% nesta quarta-feira (29), em um dia marcado por cautela nos mercados globais. As negociações foram influenciadas pelas tensões no Oriente Médio, pela reunião do Banco Central estadunidense e pela expectativa pela definição de juros no Brasil.

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,001, com alta de R$ 0,019 (+0,4%). A cotação começou o dia estável, em torno de R$ 4,98, mas subiu após a abertura dos mercados nos Estados Unidos. Na máxima do dia, por volta das 16h, chegou a R$ 5,01.

A moeda estadunidense subiu perante as principais moedas do planeta. O movimento refletiu um cenário externo mais incerto, com impacto das tensões geopolíticas e da decisão do Federal Reserve (Fed), que manteve os juros nos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Ibovespa

A Bolsa brasileira teve forte queda e atingiu o menor nível desde 30 de março, ampliando a sequência negativa recente. O Ibovespa encerrou o dia aos 184.750 pontos, com recuo de 2,05%. Durante a sessão, o índice oscilou entre a mínima de 184.504 pontos e a máxima de 188.709 pontos, em um intervalo superior a 4 mil pontos.

O índice acumula queda de 3,14% na semana e de 1,45% no mês, mas sobe 14,66% no ano. Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa já recuou cerca de 14 mil pontos, sendo que a perda desta sessão foi a mais intensa desde 20 de março.

Petróleo

Os preços do petróleo dispararam no mercado internacional, impulsionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo WTI, referência nos Estados Unidos, fechou cotado a US$ 106,88, com alta de 6,95%. Já o Brent, usado nas negociações da Petrobras, encerrou a US$ 110,44, avançando 5,78%.

A valorização ocorre em meio a incertezas sobre o fornecimento global da commodity, especialmente diante do risco de interrupções no fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo.

Contexto global

O cenário externo concentrou a atenção dos investidores ao longo do dia. O Federal Reserve manteve a taxa de juros e sinalizou preocupação com a inflação e com o aumento das incertezas globais. Ao mesmo tempo, a intensificação do conflito no Oriente Médio elevou a volatilidade nos mercados internacionais. A alta do petróleo, acima de US$ 100 por barril, também reforçou as pressões inflacionárias.

No Brasil, o mercado acompanhava ainda a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos, para 14,5% ao ano, só foi divulgado após o fechamento das negociações.

*com informações da Reuters

Catas Altas celebra 25 anos da Festa do Vinho com programação cultural, shows e valorização das tradições locais

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A Prefeitura de Catas Altas divulgou a programação oficial da XXV Festa do Vinho, que neste ano celebra 25 anos de história, tradição e valorização da cultura local. O evento será realizado entre os dias 15 e 17 de maio, reunindo atrações musicais, apresentações culturais, gastronomia e momentos de reconhecimento ao patrimônio imaterial do município.

Abrindo a programação, na sexta-feira (15), o público será recepcionado a partir das 20h com locução de DJ, seguido da abertura oficial às 21h. Às 22h, o palco recebe o show de Beto Guedes, um dos grandes nomes da música brasileira. Na sequência, a festa continua com Bob Drummond e, logo após, DJ.

No sábado (16), as atividades começam às 14h, com som mecânico. Às 16h, acontece uma apresentação cultural, e, das 17h às 21h, o público poderá acompanhar o tradicional concurso “Saboreie com Jabuticaba”, que valoriza a criatividade gastronômica com o fruto símbolo da cidade. A abertura oficial da noite será às 21h, seguida pelo show de Dino Fonseca, às 22h. Logo após, quem sobe ao palco é Camila Calais, com encerramento ao som de DJ. Durante todo o dia, o evento contará com atividades culturais.

Encerrando a programação, o domingo (17) terá início às 14h, com destaque para a premiação do melhor vinho de jabuticaba, reconhecido como patrimônio imaterial de Catas Altas, além da premiação do concurso gastronômico e do voto popular. A programação inclui ainda uma homenagem à história da festa e apresentações culturais ao longo do dia. Às 17h, haverá apresentação de arte e cultura, e, às 18h, o público poderá prestigiar o Projeto Nossa Terra, com show musical da banda Deck’s, acompanhada por artistas do município, celebrando os talentos locais.

Consolidada como um dos principais eventos culturais da região, a Festa do Vinho reafirma o compromisso de Catas Altas com a preservação de suas tradições, especialmente a produção artesanal de vinho de jabuticaba, símbolo da identidade local.

A XXV edição promete reunir moradores e visitantes em uma celebração marcada por música, cultura e sabores únicos, reforçando o potencial turístico e cultural do município.